O VINHO NOVO É MELHOR

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E ninguém tendo bebido o velho quer logo o novo, porque diz: Melhor é o velho.
Lucas 5:39

Jesus sempre usou parábolas para expressar a verdade que veio trazer ao mundo para que por ela fossemos livres. E neste contesto, tenho pra mim, que; a verdade declarada por Ele nesta parábola, é o bojo de tudo o mais  que Ele determinou que vivêssemos.

É fato em nossa vida cotidiana que, se depositamos leite em um recipiente contaminado com restos de outro leite, o leite bom que foi depositado será contaminado. Vai azedar, e ao invés de fazer bem vai fazer muito mau se for bebido.

Neste texto de Lucas, Jesus cria essa metáfora do vinho novo, pelo fato de a cultura do vinho fazer parte daquela nação, e para que assim o entendimento daqueles que o ouviam e não eram seus discípulos, fosse cegado.

(A vós vos é dado saber os mistérios do reino de Deus, mas aos que estão de fora, todas estas coisas se dizem por parábolas, para que, vendo, vejam, e não percebam; e, ouvindo, ouçam, e não entendam; para que não se convertam, e lhes sejam perdoados os pecados. (Marcos 4:11,12)

Para entendermos de forma ampla a parábola proferida por Ele, vamos conhecer melhor o que é um odre e qual a sua função.

O odre é uma espécie de saco feito com pele de animal para armazenar líquidos. Neste caso o vinho. Quando os produtores de vinho em Israel queriam armazenar o vinho em uma entre-safra sem que o vinho fermentasse, eles usavam odres novos que ainda não haviam sido usados para armazenar nenhum outro tipo de conteúdo, para evitar que as moléculas do vinho se interagissem com moléculas que restaram do conteúdo anterior que ocupava aquele odre, fermentando assim, o vinho novo.

Vinho novo, nada mais é do que o vinho não fermentado; enquanto o vinho velho é o vinho que já passou pelo processo de fermentação, tornando-se assim um sumo de uva que embriaga e altera o funcionamento da percepção natural da realidade.

O odre, por ser feito de pele de animal, quando usado para armazenar vinho e fazer o processo de fermentação, se esticava, devido à produção natural de gases, aumentando assim o volume dentro do recipiente. Nesse caso, esse odre seria inviável para armazenar o vinho novo e ao mesmo tempo conserva-lo puro. Se o produtor guardava o vinho em um odre velho, esse odre já estava impregnado com moléculas já fermentadas do vinho anterior, que por sua vez contaminava o vinho novo, desencadeando assim um processo natural de fermentação do vinho atual, o que consequentemente romperia esse odre, pelo fato de já ter sido esticado ao máximo pela pressão dos gases formados na fermentação do vinho anterior. As moléculas residuais fermentadas do vinho velho, iniciariam a fermentação do vinho novo, esticando ainda mais o odre que já estava esticado ao seu limite, até o rompimento. E assim se perdia o odre e o vinho.

Jesus com certeza não estava nem aí para o vinho, Ele nem era produtor de vinho. O que Jesus queria era usar a linguagem daquela cultura para expressar a verdade sobre sua mensagem naquele momento. Com certeza Jesus não estava preocupado em dar uma aula de como conservar um bom vinho. Então, do que Ele falava? Vamos descobrir.

Deus, em toda a Sua sabedoria, havia dado ao povo de Israel, mandamentos e leis rígidas através de Moisés quando aconteceu o êxodo do Egito à terra prometida. Eram leis e mandamentos que definiriam a forma que aquele povo liberto deveria viver seus relacionamentos pessoais, sociais, internacionais e por fim o seu relacionamento com o próprio Deus.

Sim. Era necessário por ordem na casa, mas, toda a lei, ainda tinha um propósito que transcendia o entendimento de qualquer erudito da época.

As pessoas pensavam que a lei era uma regra imutável para se poder relacionar com Deus. Mas, à medida que se esforçavam para cumprir as mais de 600 leis e mais os dez mandamentos, mais ainda se tinha a convicção de que seria impossível alcançar uma fidelidade íntegra para com Deus, pois, se eles pecassem em uma sequer destas leis, seriam culpados de todas as outras. Quando perceberam o fato de que seriam incapazes de cumprir a lei para ser aceitos por Deus e pelos seus líderes, começaram a maquiar o exterior para parecer aos outros que eram cumpridores. Não sabendo eles que somos diante de Deus, um flagrante constante.

(Agora, pois, ó Israel, ouve os estatutos e os juízos que eu vos ensino, para os cumprirdes; para que vivais, e entreis, e possuais a terra que o SENHOR Deus de vossos pais vos dá. Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu vos mando.) Deuteronômio 4:1,2

A minha opinião pessoal sobre a lei, é que Deus deu a lei para mostrar ao homem sua incapacidade de alcançar Deus.

(Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus.
Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado.) Romanos 3:19,20

A lei do pecado e da morte não permitia ao homem ter um relacionamento íntimo com Deus, a lei do pecado e da morte era um duto que trazia a misericórdia de Deus ao homem, mas não levava o homem à intimidade de relacionamento planejado por Deus em sua originalidade, a lei do pecado e da morte, permitia apenas um relacionamento à distância entre Deus e o Homem, a lei do pecado e da morte, era o tutor enviado por Deus, para conduzir o homem por um só caminho, até que a lei do pecado e da morte atingisse a sua finalidade real que era matar Jesus.

(Porque, como pela desobediência de um só homem [Adão], muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um [Jesus] muitos serão feitos justos.) Romanos 5:19

Toda a lei apontava para o Messias que sofreria as penas da lei do pecado e da morte, sem haver transgredido nenhuma destas leis, servindo assim o Seu sacrifício, bem como o Seu sangue, por moeda de valor, que valeria o preço da compra de todos os que até então eram escravos de uma lei que jamais poderiam cumprir. O pecado do Homem custou caro pra Deus, mas Ele pagou assim mesmo, movido pelo eterno amor que tem por sua criação.

(Porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados.)
Hebreus 10:4

(Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue nos compraste para Deus de toda a tribo, e língua, e povo, e nação;) Apocalipse 5:9

Tudo o que mantinha o povo de Israel sob a benção e proteção de Deus, era o cumprimento da lei e seus rituais, a lei era a babá do homem, e diga-se de passagem, uma babá muito cruel que não tinha capacidade de devolver o filho ao Pai.

(Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar. De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados. Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio.)Gálatas 3:23-25

Mas, Deus em sua onisciência já havia preparado as malas de Seu Filho mais velho, para vir até aqui e “dar um pau” nessa baba e tomar de volta para o Pai Seus irmãos mais novos, ao fazer com que toda a pena da lei do pecado e da morte caísse sobre Ele, O Filho inocente. Assim se faria justo a reconciliação de Deus com o homem, encerrando na cruz todo o direito que a lei, a morte e o pecado tinham sobre o pecador.

(Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.) Filipenses 2:6-8

A lei cumpriu-se em Jesus. E sendo assim é uma lei caduca.

Ao chamar esta aliança “nova”, Ele tornou velha a primeira. Ora, aquilo que se torna velho e antigo, logo desaparecerá. (Hebreus 8:13

Mas, e agora? Viverá o homem sem lei? De maneira alguma! Não se caduca uma lei sem antes haver outra superior à ela. E é disso que se trata a parábola do vinho novo em odres novos.

(Porque a lei foi entregue por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. João 1:17.)

O odre velho representa o homem em sua integridade existencial, corpo, alma, e espírito, trabalhando em obras que são incapazes de satisfazer a Deus ao ponto de aceita-lo.

O vinho velho representa os rudimentos da antiga aliança que Deus havia feito com o Homem.

O odre novo representa o homem em sua integridade existencial, corpo, alma e espírito, que entendeu a lei do Amor que, substituiu a lei do pecado e da morte, fazendo o assim  merecedor de Deus pela obra feita por Seu Filho na cruz e por reconhecer tal favor, se esvaziou de toda a lei caduca da antiga aliança firmada com sangue de animais, para que a lei da graça e do amor pudesse entrar em seu interior de forma prática e eficiente sem se contaminar com as regras antigas que só faz condenar e matar.

O vinho novo representa a nova Lei a ser praticada e pregada da mesma forma que fez O Mensageiro que a touce, é A Lei que rege a Nova Aliança feita entre Deus e o Homem para que assim vivesse nesse mundo.

É disso que se trata e é disso que vamos tratar à partir de agora.

Continua remos amanhã…

Samuel Lemos

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