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A GERAÇÃO EVANGÉLICA DO “ESTÁ TUDO BEM”, E A NEGAÇÃO DO SOFRIMENTO DA ALMA.

download (56)Hoje em dia imperam nas ministrações dominicais das igrejas, ideias de positivismo, de “smiles”, de “likes”, de sorrisos. Implicitamente corre a ideia de que o importante é nos sentirmos bem.

Gostaria que refletissemos sobre as implicações psicológicas desta mensagem implícita e explicita de obrigatoriedade de “estarmos bem”.

Naturalmente, qualquer pessoa gosta de se sentir bem. Mas esta sensação deverá ser natural, ou seja, deverá ser de acordo com os níveis de realização de cada um. Se uma pessoa se sente realizada ou sente que está no caminho certo em áreas como o eixo amoroso, profissional, familiar, de amizades e existêncial (o sentido que dá à sua vida) então é natural que se sinta bem.

A vida é dinâmica e existem sempre áreas em que sentimos maior ou menor realização. O eixo amoroso pode estar fantástico e o profissional péssimo e tal poderá não impedir que uma pessoa se sinta relativamente bem.

Mas existem situações em que o “estou bem” ou o “sorriso” não fazem qualquer sentido, nem têm que fazer. O problema está na dificuldade em vivenciar estas emoções. Parece que esta sociedade evangélica defensora do ultrapositivismo não deixa espaço para a partilha e a intimidade da expressão de estados de tristeza, zanga ou dor interior profunda. E esta é uma questão séria e que deverá merecer a nossa reflexão.

Quantas vezes é que só no sossego, no conforto e no segredo do nosso quarto é que somos nós, na autenticidade da nossa expressão emocional, sobretudo em períodos de dor e de ansiedade?

Muitas vezes, a censura a emoções como a tristeza ou a zanga começa desde a mais tenra infância em que estas emoções não são devidamente legitimadas e são impostos níveis de hétero-censura pelos pais pastores, lideres e educadores. A geração evangélica do “está tudo bem” aprende que não deverá estar triste ou zangada e não aprende verdadeiramente a sentir e a gerir estas emoções. Estas não aprendizagens muitas vezes têm pesados custos ao longo da vida justamente em períodos em que deveria existir a legitimidade para dizer “estou mal”.

As pessoas vão aprendendo a não gerir interiormente a tristeza e a zanga e depois é lançada numa sociedade onde a partilha da tristeza é, de certo modo, censurada…

Este é verdadeiramente um dos dramas da sociedade atual. Parece que não há espaço e compreensão para um olhar triste e vazio ou a ausência de um sorriso. Todas estas manifestações emocionais criam incomodo e embaraço e são olhadas de lado.

Se alguém se sente triste ou zangado, sorrir e fingir que está tudo bem só levará a uma maior acumulação de tensão.
Outra das consequências desta censura colectiva é o de a própria pessoa entrar em processos de relativização e de auto-ilusão perante o seu mesmo sofrimento “Se os outros dizem que está tudo bem e que eu tenho é de sorrir, então até não estou assim tão mal”.

A negação do sofrimento. O não dizer “estou mal”, o não ouvir as nossas emoções traz consequências…
O que acontece quando não ouvimos as nossas emoções?

Se não ouvimos as nossas emoções, então poderemos correr o risco de perpetuar ciclos de mal estar físico e psicológico. O nosso corpo começará a “guinchar” com dores de cabeça, tensão acumulada nas costas, taquicardias, úlceras, sensações de vômitos e mal-estar abdominal entre muitos outros sinais que a sabedoria do nosso corpo usa para sinalizar a gravidade da situação.

O maior erro é ignorar estes sinais e fingir que “se está bem!”. Por vezes devemos dizer “estou mal” e perceber que o “smile” interior não está disponível. É a consciência do nosso sofrimento que conduzirá à procura da mudança.

Se o seu corpo dá sinais de que “você está mal” ou se anda zangado, ansioso ou triste continuamente então seja verdadeiro consigo mesmo e assuma que “está mal” procure ajuda !

Vale a pena pensar nisto!

 

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